JUNTAR FORÇAS POR GRÂNDOLA

Dezembro 30 2009

 

VAI PASSAR MAIS UM ANO


 

Com tempo tristonho e “humores” tempestuosos acaba este ano tristemente inscrito na história deste País, marcado a ferros na nossa vivência e na nossa memória.

Naturalmente a mensagem é sempre a de melhor ano para todos, que o que venha seja invariavelmente mais próspero. Isso são as aparentes intenções de uns, as reais de outros.

Contudo, todos nós sabemos que para piorar não é necessário fazer nada ou muito pouco, ao invés, para melhorar, já é outra conversa.

Para melhorar há que lutar, há que ter convicções e acreditar no bom que existe em cada ser humano, mostrar vontade e trabalho, arregaçar as mangas. Porque de boas intenções está o inferno cheio. De promessas também estamos fartos. Há 35 anos que nos prometem... mas o que tivemos cada vez mais se esquece, desaparece, passa a não existir.

Estamos em mergulho profundo, não estamos na beira do abismo. Sufocamos e já nem damos por isso.

Não desejamos um Novo Ano a balões de oxigénio. Desejamos emergir desta crise profunda a todos os níveis, onde os HUMANOS são os mais esquecidos. Não é por nada que os medicamentos mais vendidos neste país são os anti-depressivos... não é a à toa que as pessoas cada vez se alheiam mais dos políticos, dos seus discursos nada repetitivos; não é a troco de nada que cada vez mais, na sua luta pela sobrevivência, as pessoas se tornam cada vez mais agressivas umas para com as outras, que cada vez se olha menos a meios para se atingirem os fins. Tudo isto é fomentado, alimentado para nos trazer presos a esta luta diária e que nos alheia do que fazem os nossos governantes. Alheios e já pouco interessados nos incríveis escandalos financeiros, da justiça, da saúde, de tudo quanto ouvimos falar nos telejornais que já não podem dizer tudo.

Este ano vai passar. Pelo que se vê, o que se aproxima será apenas uma continuação dos episódios anteriores, mais uns capítulos nesta telenovela.

Porque somos todos “animais políticos”, o Bloco de Esquerda de Grândola vem desejar um ano em que se pense um pouco mais no futuro que desejamos. Vem dizer que a política é feita por e para SERES HUMANOS e que sem estes, político nenhum poderá obter poder.

O poder continua, por enquanto, nas vossas mãos. Façam uso dele este e em todos os anos. Em consciência e sem medo. Não envergonhemos quem nos libertou há 35 anos.

Como seres humanos e com a humildade que nos caracteriza, o Bloco, deseja a todos um Bom Ano, ou talvez para os mais conformados, o Ano Possível.

 

Um Bom Ano para TODOS,

JOSEFINA BATISTA

 

publicado por Bloco Grandola às 21:45
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Dezembro 18 2009

Eis que chegou a altura de mostrarmos o que somos pelo que oferecemos. Grandes pessoas, caras prendas.

O Natal tem uma escala, uma hierarquia próprias, rima com Centro Comercial, é fraudolento, enganador nas "promoções", tudo apela à compra desenfreada. O Natal, na sua verdadeira acepção já não existe. Tudo foi tragado pela voragem comercial, pela opulência, pelo ser mais do que se tem.

Os cartões de crédito vão bater  no fundo para levarmos o resto do ano (muitas vezes em dois anos) a pagar. E para quê? Para brilhar nesta feira de vaidades, para se ser bem visto.

O melhor que podemos dar já nem sabemos onde encontrar, mas está dentro de nós. Tudo o que de bom tivermos, que demos. Há-de ser-nos pago a dobrar se for o caso, ou seremos desprezados. E que interessa se formos? Ficamos melhor se COMPRARMOS os outros com dinheiro? Isso apenas mostra o que somos: utilitários. Natal é quando um homem quiser, diz o poeta e diz-nos o coração. Aproveitemos para dar o que temos de melhor em nós, vejamos as respostas, faremos as contas aos amigos verdadeiros.

Assumamos que o desemprego é fogo que nos consome, que o custo de vida é um monstro, que podemos deixar dívidas para outros pagarem se nos acontecer alguma coisa.

Tenhamos um Natal Real, pensemos nos outros e sobretudo, não façamos "caridadezinha" só porque é Natal e a televisão nos bombardeia com anúncios, os telemóveis nos oferecem empréstimos tão aliciantes, e as lojas entram em "promoção", "saldos", "descontos".

Dá o que tens de mais autêntico: um pedaço de ti!

E abre a porta aos amigos e visitantes. Oferece da tua mesa.

Sei que tenho amigos porque sou procurada. No meio da noite, há anos por amigos e amigas, vizinhos e no meio deles, uma cheia de frio, cheirando a esturme que diz logo à entrada: " Não estou capaz  de nada, mas tenho fome!" E trás consigo palha no cabelo.

Cuidado com o Natal, cuidado com o futuro.

Em nome do Bloco, embora tenha referido experiência pessoal, desejo a todos um Natal Real, cheio de amizade, afecto, carinho, isso é que são prendas!

 

JOSEFINA BATISTA

 

 

publicado por Bloco Grandola às 22:50
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Dezembro 01 2009

 

A SAGA, A ODISSEIA DE IR AO HOSPITAL
 
8.30h da manhã. Desde ontem que não durmo com dores no estômago. Já vomitei as tripas e vísceras adjacentes, acho que é melhor ir ao Atendimento Não Sei Bem de Quê aqui de Grândola antes que feche. Lá fui. Tira a ficha, aguarda e sou atendida! “ Bem, devido à sua patologia e complicações, é melhor ir para o Hospital do Litoral e tal e tal”.
Valha-me Deus! Lá vou eu de estarola para o super-hiper-mega Hospital, onde dou entrada pela porta, não na consulta, pelas 10h da manhã. Olha para o placard electrónico: “Tempo estimado de espera para gajas como tu – cerca de 6h”. Paciência de santa e mulher doente... espera que já “almoças”. Pelo sim pelo não levei dois telemóveis. Estou “armada” pensei eu toda saloia. Hora de almoço, um vago cheiro de comida passa nos corredores, onde também passam pessoas com fardas, umas azuis, outras brancas. Pensei: vão concerteza oferecer-me nem que seja uma bolacha... o tanas!
Chega a minha hora, depois de muito vomitar de novo. Deito um olhar triste às máquinas que oferecem bolos e sumos congelados a troco de uns bons trocos. Ná, não posso... eles hão-de lembrar-se de mim. Fui atendida por um dos seres vagamente humanos que funcionava como um apêndice dos computadores: se saía uma tira de papel do computador, ele fazia alguma coisa, se não, ficava à espera como um cão fiel.
Não pude sair. “ Diz aqui neste papel que terá que ficar em observação durante a noite”.
Pensei feliz: “Vão dar-me jantar!” oh triste ilusão... nada! E o cheiro da comida voltou a passar por mim que já aguava e jejuava. Toda a noite aqueles seres dependiam dos computadores para fazer fosse o que fosse. De repente apercebi-me que tinha caído numa história do Kafka: isto é surrealista! Tentei falar com um de branco perguntando: “ Não vou ter um leite para jantar? É que entrei às 10h da manhã”. O ser robotizado olhou para mim e para o computador, escreveu umas coisas, esperou e lá veio a tira de papel. “Não, não há autorização para comer” e virou-me as costas! Eu já praguejava, já impava, e não é que estava a fazer coro com as outras pessoas que lá estavam? Os doentes eram HUMANOS, os outros não, que curioso...
Quatro da manhã. Uma voz ouve-se: “Não consigo dormir. Alguém me dá um comprimido para dormir, por favor?” Era um velhote. Veio um ser de azul e falou com ele: “não lhe posso dar nada sou auxiliar, tem que pedir a um médico”. “Então chame um médico pelo amor de deus”. “Não posso. O médico está a descansar”. “Mas era isso que eu queira também” gemia o velhote. “Temos que respeitar o descanso dos doutores”. A estas horas eu já não tinha bem a certeza se os doutores eram os médicos ou os computadores... na verdade, agiam em sintonia total, era natural um pequena confusão destas.
Chega a manhã. É agora que vou sair se a máquina disser que sim! Viva! Estarei livre disto para ir gemer e vomitar em casa! Um fardado de branco aproximou-se com a tira de papel na mão: “ A senhora já tem alta, pode sair”. “Mas e nem o pequeno almoço me dão?” ele foi consultar o “oráculo” e veio a nova tira de papel: “Não tem direito a isso, mas pode sair e comer lá fora nas máquinas!” “oh porra”, pensei eu!
Esta gente é doida, ou isto evoluiu demais e eu não acompanhei? Onde é a paragem do autocarro? Mas qual paragem? Aqui não há disso! E a praça de taxis? Está maluca? Não há aqui praça de taxis! Furiosa saco dos telemóveis: um não tinha rede, outro não tinha bateria! Ohhhhhh azar desgraçado: posta na rua do hospital, meio morta de fome, sem amigos, sem boleia, perdida num descampado atrás do sol posto! Mas sou uma MULHER! Sou forte, já pari, também resolvo isto. O desalento tomou conta de mim... pois pari. Parimos quase todas. Parimos gente desta! Somos nós que os carregamos, os parimos, os cuidamos educamos para ISTO! Para serem políticos que geram obras destas. Puxei de um cigarro, sentei-me no chão enfrentando a cruel realidade: a culpa é MINHA! A CULPA É MINHA! Estou assim porque todas andamos a ver o filme ao contrario, os mimamos demais, os enchemos de sonhos de poder e valentia, de mando, posso, quero, dependo de uma máquina que me diga o que fazer. A culpa de ir a pé para Santiago é minha, de não ter comido é minha, de não ter bombeiros que me levem a casa é minha, de ser mulher, de ser doente, de produzir seres como este é MINHA! A culpa (diziam os computadores lá dentro) é de todos em geral mas de ninguém em particular.
Não quero estar doente neste hospital ou enlouqueço! Alguém pode vir buscar-me? Boleia para Grândola, há? Por favor? Por favor? Chuifff chuifff... oh filhos da mãe!

 

JOSEFINA BATISTA

publicado por Bloco Grandola às 13:10
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