JUNTAR FORÇAS POR GRÂNDOLA

Novembro 23 2009

 

 
Já começam os intermináveis anúncios de bonecas e futilidades na tv e nós já sabemos: está a chegar o Natal. O Natal de todos os embustes, de todas as vaidades, de todas as hipocrisias, de todas as misérias.
Os levantamentos das Caixas Multibanco vão disparar, os cartões de crédito vão bater no fundo, quanto mais pessoa “de bem” mais cara a prenda.
Carros de luxo serão oferecidos, uma infinidade de benesses cairá como um maná dos céus e o pessoal endivida-se à grande e à francesa para ir pagando no ano seguinte ou a 2 ou 4 anos conforme o volume de compras e respectivo crédito.
Mas existe a outra face, a mais oculta, triste e dorida do Natal – o Natal dos reformados que a tanto custo compram uma “lembrancinha” para os netinhos, deixando de tomar os medicamentos ou de comer carne nesse mês, porque também querem ter a sua ceia, ou comprar um casaco mais quentinho que o frio é o companheiro das noites.
Ao lado, muito ao largo passa o Outro Natal que se cola ao Reveillon em saídas para fora de Portugal, em estadias no Allgarve (esta foi de morte) e que por isso enche os hospitais de velhotes lá abandonados porque em casa só estão a empatar e não permitem viagens mais prolongadas. Nestas alturas adoece misteriosamente muito idoso... palavras ouvidas a muito médico de hospitais públicos.
O que é preciso é ostentar, mostrar “o sucesso” pessoal e profissional a todo o custo e esquecer os velhos nos respectivos locais de “abandono”.
Por mim, guardo lembranças de Natais mais sadios em que a oferta de um par de peúgas de lã feitas pela avó tinha todo o valor do mundo. Agora Hi-pods, Playstations, Mp4, Laptops  e afins arruinaria qualquer reformado que desejasse satisfazer a voracidade egoísta do “netinho”.
Gostaria para o meu Natal de um frasquinho de água de colónia, as tais meias, umas luvas da mesma “safra” e verdadeiro afecto familiar porque de pais e avós já só posso cultivar a lembrança. Comer as 12 passas à meia noite e estar rodeada de amigos e família junto de uma fogueira aquecendo os pés. Hippie? Fora de moda? Talvez... mas igual a mim mesma.
Um último desejo ambicioso: PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE, e já agora, às MULHERES também.
Com amizade,
JOSEFINA BATISTA
 

 

publicado por Bloco Grandola às 23:19
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OH PORRA! Um HOMEM vai às lágrimas com isto D. Josefina!
MUITO OBRIGADO! um feliz Natal para que se lembra de todos , até dos idiotas que se fazem no que não são e se endividam gastando o que não têm.
MUITO OBRIGADO
g.i a 23 de Novembro de 2009 às 23:37

As meias de lã, as nozes, os bombons com recheio...
Tinham mais valor que tudo no mundo!
Coitados dos reformados que se as derem só criam desprezo pelos seus presentes.
Estou muito emocionada com sua sensibilidade!
Um santo Natal para si D. Josefina!
Maria Antónia a 23 de Novembro de 2009 às 23:44

Belíssimo post Josefina, não te deixes ir abaixo, quer gostem ou não o mérito deste blogue deve-se a ti amiga.
Abraço

Henrique Rodrigues
Henrique Rodrigues a 24 de Novembro de 2009 às 01:14

Assim é muito mais agradavel, ver como se apoiam e dão força uns aos outros. É assim que se vai longe, é assim que se constrói com bases sólidas. O artigo pode nem sempre ser bom, mas estão uns para os outros e a isso dou os meus parabéns!
Se fizerem por isso têm uma daquelas "equipas que ganha e não se mexe"
Anónimo a 24 de Novembro de 2009 às 11:25

Uma pessoa fica emocionada com estas coisas que lê! Também já tinha ouvido falar do ebandono dos velhotes nos hospitais, de todas as coisas que se fazem por egoísmo.
Mas lembrar-me dessas noites de natal modesto com um bom porro a arder na chaminé e os putos brincando à espera do Pai Natal, essa magia da roupa nova, bem fui-me abaixo! Obrigado pela flor que nos oferece,uma rosa de uma inocência do passado. Este texto foi escrito pelo meu rapaz que eu, quando li nem via bem as letras.
Um gra nde abraço para si também, de toda a minha família,
electricista a 24 de Novembro de 2009 às 10:37

Fónixxxxx! Aqui o pau era na rua. Vinha a vizinhança e todos levavam alguma coisa para comer ou beber e a gente brincava até cair para o lado e o sacana do pai Natal não vinha! Mas de manhã lá iamos mostrar uns aos outros as meias novas, o barrete, uma mão cheia de BOLOTAS, sim bolotas assadinhas nas brasas embrulhadas em papel vegetal. Uns mais finos recebiam sombrinhas de chocolate da REegina! Bombons! Era cá uma festa! E os mais respeitados eram os velhos que agora abandonamos, eles faziam a fogueira, traziam a mesa e davam as cartas. Era jagatana e vinho tinho tinto, chouriço assado, torradas, toucinho...
Caraças, Josefina! Já por cá trabalhaste e sabes que o pessoal não é má gente, é a malta da mina, está tudo dito!
Um grande beijo
Anónimo a 24 de Novembro de 2009 às 10:48

É a primeira vez que cá venho e goxto. A ordem de valores alterou-se na sociedade. Agora não é "mais" quem é mais honeste e honrado,´o "maior" é quem tem mais guito, mais cagança, mais caca na cabeça. Muito bom post. Vou voltar sempre.
Fez aqui bom trabalho, talvez desperte algumas consciências mais esquecidas do que é ser-se HUMANO!
S.N. a 24 de Novembro de 2009 às 11:11

É como tenho dito! Quem fala assim merece ser ouvido! Merece mesmo. Ontem fiquei sem palavras e hoje... tou na mesma!
G.I. a 24 de Novembro de 2009 às 11:13

Sabem uma coisa? Não só com conversa politica que se cativa as pessoas, estamos fartos de discursos complicados e sempre iguais: um mund melhor, desenvolvimento, progresso. É sempre a mesma "missa"! Mas se nos tocam o coração como seres humanos que somos e não apenas números de votos contados bem ou mal nas urnas, isso já é outra conversa... Ando a ver se me lembro de alguma mensagem de Natal parecida num outro partido qualquer e não me cem nada à cabeça. Estarei velha, ou só se pensa em ganhar votinhos abanando com uma boa vida para todos que NUNCA iremos ter?
Não é ser piegas, é SER_SE HUMANO!
Um beijinho
Zulmira a 24 de Novembro de 2009 às 11:17

Com esta maldita crise e este desemprego quem pode dar boas prendas de valor que não sejam o nosso afecto, a nossa solidariedade? Um pessoa bem queria, mas depois não pode comer o resto do ano... e dar as coisas que os moços querem agora é como era dantes dar um carro a um puto de 10 anos. Estão a ver o filme todo ao contrário... essas empresas de brinquedos nem sabem os dramas que criam na vida das pessoas! Este Natal para mim é um LUTO por todos os que estão no desemprego, famílias inteiras entregues ao diabo.
Se alguém assar bolotas, faz muito bem, eu prefiro o chouriço e o toucinho. Merda para as riquezas que são só para alguns!
Fiquei muito tocado com esta escrita. Muito muito
Anónimo a 24 de Novembro de 2009 às 11:22

É bom saber que a luta pelo PODER não é só insultos. É bom ler que se preocupam com as crianças, os velhos, os animais, a vila e as aldeias. Gostei muito deste blog e do outro tb. Aquela música é o máximo! adorei! Parabéns ao sr. Rodrigues e à D. Josefina.
Por causa de ler isto até aprendi a usar a internet e gosto muito.
THE a 24 de Novembro de 2009 às 20:45

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