JUNTAR FORÇAS POR GRÂNDOLA

Dezembro 18 2009

Eis que chegou a altura de mostrarmos o que somos pelo que oferecemos. Grandes pessoas, caras prendas.

O Natal tem uma escala, uma hierarquia próprias, rima com Centro Comercial, é fraudolento, enganador nas "promoções", tudo apela à compra desenfreada. O Natal, na sua verdadeira acepção já não existe. Tudo foi tragado pela voragem comercial, pela opulência, pelo ser mais do que se tem.

Os cartões de crédito vão bater  no fundo para levarmos o resto do ano (muitas vezes em dois anos) a pagar. E para quê? Para brilhar nesta feira de vaidades, para se ser bem visto.

O melhor que podemos dar já nem sabemos onde encontrar, mas está dentro de nós. Tudo o que de bom tivermos, que demos. Há-de ser-nos pago a dobrar se for o caso, ou seremos desprezados. E que interessa se formos? Ficamos melhor se COMPRARMOS os outros com dinheiro? Isso apenas mostra o que somos: utilitários. Natal é quando um homem quiser, diz o poeta e diz-nos o coração. Aproveitemos para dar o que temos de melhor em nós, vejamos as respostas, faremos as contas aos amigos verdadeiros.

Assumamos que o desemprego é fogo que nos consome, que o custo de vida é um monstro, que podemos deixar dívidas para outros pagarem se nos acontecer alguma coisa.

Tenhamos um Natal Real, pensemos nos outros e sobretudo, não façamos "caridadezinha" só porque é Natal e a televisão nos bombardeia com anúncios, os telemóveis nos oferecem empréstimos tão aliciantes, e as lojas entram em "promoção", "saldos", "descontos".

Dá o que tens de mais autêntico: um pedaço de ti!

E abre a porta aos amigos e visitantes. Oferece da tua mesa.

Sei que tenho amigos porque sou procurada. No meio da noite, há anos por amigos e amigas, vizinhos e no meio deles, uma cheia de frio, cheirando a esturme que diz logo à entrada: " Não estou capaz  de nada, mas tenho fome!" E trás consigo palha no cabelo.

Cuidado com o Natal, cuidado com o futuro.

Em nome do Bloco, embora tenha referido experiência pessoal, desejo a todos um Natal Real, cheio de amizade, afecto, carinho, isso é que são prendas!

 

JOSEFINA BATISTA

 

 

publicado por Bloco Grandola às 22:50
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Estava a ver que não! É por isso que adoro esta Mulher: cabeci nha fresca e olho no fundo do ser humano.
Um Natal Real si Josefina Batista. E deixemos de ser tão vaidosos, o valemos é só aquilo que somos.
Mais um belo post. E já agora parabéns pelo hospital. Que não volte lá nunca mais! Força!
G.I. a 19 de Dezembro de 2009 às 15:24

Houve aqui problemas com a internet. Mas li e gostei bastante: compramos para nos vendermos, essa é que é a verdade !
Mais vale um abraço e uma amizade verdadeira do que todos os presentes que o dinheiro pode comprar. Faz falta sim, mas não para esta ostentação.
Como sempre brindou-nos com um artigo que dá que pensar e como vai este país é bom que pensemos mesmo.
Um beijinho e um feliz natal real para si e para os seus.
Maria Antónia a 19 de Dezembro de 2009 às 16:00

oh mulher seja bem aparecida! Isto é fazer política com o coração. nunca se canse. sou seu leitor assíduo.
toino a 19 de Dezembro de 2009 às 21:13

belo artigo Josefina! Parece-me que conheço essa amiga que cheira a cavalo e não aparece muitas vezes. Mas quando vem pede comida, hehehehe.
Partiste-me a alma com o artigo sobre o Lousal e este até faz chorar.
Continua!
lina a 20 de Dezembro de 2009 às 00:34

li e gostei. você tem estofo para muito. vai ser uma das minhas leituras este blog, independentemente do que voto. gostei. não somos todos tansos
rui a 20 de Dezembro de 2009 às 18:16

“É Natal, acho mal”

É Natal, é Natal
acho mal, acho mal,
vamos partir a massa
p’ró centro comercial.

Do Cristo adorado
não queremos saber,
pomo-lo de lado
queremos é comer.

É Natal, é Natal
acho mal, acho mal,
vamos partir a massa
p’ró centro comercial.

Festa da família
pode ser também,
desde que nos tragam
presentes mais de cem.

É Natal, é Natal
acho mal, acho mal,
vamos partir a massa
p’ró centro comercial.

Acabou num instante
este Santo Natal,
ufa que alívio !
já me sentia mal.

É Natal, é Natal
acho mal, acho mal,
vamos partir a massa
p’ró centro comercial.
Anónimo a 21 de Dezembro de 2009 às 14:33

E agora é o Ano Novo... mais viagens, mais lantejoulas e etc. Alguém paga essa treta toda, quem será? Outros passam fominha.. quem serão? Basta olhar à volta...
Anónimo a 28 de Dezembro de 2009 às 17:08

Ano Novo Inferno novo, pagar e morre quanto mais tarde melhor.

“Inferno 2010”

Bastou-me um saltar rápido entre algumas páginas e sites na WWW para perceber que o próximo ano vai ser não só muito melhor que o último, como também vai ser o ano de todas a esperanças e mudanças, pelo menos a julgar pelos apelos e determinações das mais variadas instituições europeias e internacionais.

A nível económico já se sabe a crise está prestes a acabar, se é que não acabou já, assim o dizem os nossos responsáveis e dizem também os das instituições internacionais, como o presidente do BCE a apelar à contenção das despesas com vista à redução dos défices dos países da zona euro já no próximo ano impondo como data limite o ano de 2011.

O próximo ano foi já também designado pela ONU como o Ano Internacional da Juventude, com o objectivo de encorajar o diálogo e compreensão entre gerações e promover os ideais de paz, respeito pelos direitos humanos, liberdade e solidariedade, seguramente mais um ideário de boas intenções para o novo ano que se avizinha.

É também o ano escolhido pela Unesco como o Ano Internacional da Biodiversidade, sendo o ano de todas as expectativas e comemorações, através delas pretende-se realçar a importância vital para o bem-estar humano e sua sobrevivência, pena é que o ser humano esteja mais preocupado com o lucro fácil e imediato em que a biodiversidade será bem vinda se não atrapalhar este objectivo.

Foi também designado como o Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social, mais um rol de boas intenções que me soam a chavões já antes repetidos até à exaustão, ou será que é mesmo desta ? Antes fosse, mas não me parece que seja tarefa para um ano, nem para uma década e muito menos com as notícias contrárias que cada vez mais nos chegam ao conhecimento.

Estes foram só alguns dos desígnios que já vi atribuídos ao ano de 2010, como vos disse numa volta rápida e não exaustiva pela informação global que nos é oferecida, pelo que sou levado a pensar que muitos outros estejam determinados ou na forja para tornar o próximo ano um inferno um pouco melhor que o anterior.

Pois se antigamente era comum dizer-se que de boas intenções estava o inferno cheio, hoje em dia à velocidade a que as boas intenções de todos os tipos e para todos os gostos são anunciadas, cada novo ano é um inferno que encerra em si mesmo toda uma imensidão de boas intenções que povoam a nossa vida quotidiana, mas que na realidade em pouco ou nada a alteram, o que até tem o seu sentido pois viver é um inferno, o céu vem depois.
Anónimo a 28 de Dezembro de 2009 às 22:40

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