Boa! Cada vez menos liberdade, mais pobrezinha e arredia.
Como sempre um belo artigo da D. Josefina. Parabéns! E viva o 25 de Abril!
G.-I. a 25 de Abril de 2010 às 02:21

“Trinta e seis anos”

Trinta e seis anos Abril madrugada
Ruas cheias, cravos na espingarda,
Mandado às urtigas regime mal amado
Má a memória de quem foi torturado;

Conquistas muitas e ilusões mil
Muitos já sonham com o novo Abril,
Do primeiro resta lindo foguetório
E na manhã seguinte grande oratório.

Pagamos agora a quem mal nos governa
E já Amália não temos p’ra nos distrair
Com a bolsa vazia uns tintos na taberna,

Dos outros falando limpam aos milhões
Muitos mais que antes e mais hão-de vir
São vidas faustosas e lautas refeições.
Anónimo a 25 de Abril de 2010 às 05:49

Grândola Vila Morena
Zeca Afonso

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Anónimo a 25 de Abril de 2010 às 05:56

Comentado a: 25-04-2010 00:40

por:pedro silasde:coimbra temos de nos juntar e para o pais - não e so quem trabalha que deve pagar - onde esta todo o dinheiro roubado - derrapagem em obras etc - tem de haver novo 25 de abril

Comentado a: 25-04-2010 00:37

por:manuell uis agostinhode:santa luzia ouriqueum pais que se dá ao luxo de pagar a uma tipa 5000€r mês porque vive em Paris e tem que viajar semanalmente para aassembleia da republica para por ventura defender os amigos que ganham milhões à frente de empresas publicas cada vez mais endividadas, é um país sem futuro..... coitadas das minhas queridas filhas que vão herdar a miséria que esta gente fez ao nosso Portugal.

http://sic.sapo.pt/online/noticias/dinheiro/Ministerio+considera+que+paralisacao+dos+camionistas+poe+em+causa+negociacoes.htm
Anónimo a 25 de Abril de 2010 às 06:13

Assinalam-se hoje os 36 anos do 25 de Abril de 1974. Acha que o país precisa de uma nova revolução?

Sem dúvida: 5021 (69%)

Talvez: 1261 (17%)

Não: 1013 (14%)

http://www.sapo.pt/#/noticias
Anónimo a 25 de Abril de 2010 às 12:46

“Lenine”

O nosso presidente descobriu hoje que na nossa sociedade persistem desigualdades sociais e existem casos imerecidos de riqueza que chocam e tudo o mais que ele sabe e que ele sabe que nós sabemos e não disse, um outro ilustre parlamentar citou Lenine dizendo que “uma organização morre quando os de baixo não querem e os de cima já não podem” e no final acabam todos a elogiar-se mutuamente, até parecem saídos do mesmo saco.

Todas estas descobertas e acontecimentos recentes remetem-me para os anos sessenta quando ouvíamos dizer que estávamos atrasados cinquenta anos em relação aos EUA, nós tinhamos a rádio eles tinham a TV a preto e branco, nós tinhamos a TV a preto e branco, eles tinham a TV a cores, os nossos automóveis eram económicos e pequeninos os deles eram grandes bombas e gastavam até mais não, isto tudo relativamente aos aspectos tecnológicos.

E ouvíamos simultaneamente dizer que a terra do tio Sam era terra de oportunidades, mas só quem tinha dinheiro tinha protecção social, os demais que se amanhassem e que nós aqui tinhamos a sorte de ter um estado social muito evoluído, aqui por sua vez os salários de todos em geral eram baixos, não existindo grandes desigualdades, enquanto lá já havia gestores muito bem pagos, mas quem trabalhava também era bem remunerado, embora o leque salarial fosse mais alargado.

Nos dias de hoje com a velocidade a que a informação flui e os bens de consumo são escoados as diferenças tecnológicas esbateram-se por completo, quanto às outras diferenças se antes caminhávamos em contra ciclo, a coisa agora parece manter-se mas eles na curva ascendente e nós na descendente.

Enquanto por lá parecem ter tomado uma maior consciência social e querem alargar o espectro desta protecção, também a nível salarial parecem querer conter mais as desigualdades pois quem trabalha aufere bons salários e os de topo não estão tão afastados, já nos automóveis buscam cada vez mais a economia enquanto antes isso nem sequer constituía uma preocupação.

Por cá parece andarmos a querer reduzir o nível das prestações sociais e o seu espectro de aplicação, relativamente aos salários dos de cima e dos de baixo nem é bom fazer comparações e já nos fazemos transportar em grandes bombas, sinais dos tempos, será talvez por que pensamos caminhar para a vida eterna organizacional, isto à luz da citação de Lenine, pois os de cima podem tudo, é a falta de vergonha completa e os de baixo já não podem mais.
Anónimo a 25 de Abril de 2010 às 15:39

Aprendi a respeitar este blogue e faço dele um local de passagem obrigatório, cada vez que aparece um artigo seja da Dona Josefina, o Sr Henrique ou do Bloco, são sempre artigos com conteúdo, que me fazem pensar e reflectir. Estas simples pessoas que deram vida o Bloco em Grândola, começa a merecer o nosso respeito e a nossa atenção. Nunca os vi a pedir um "tacho", a solicitar uma colocação, a pedir um favor. Vejo neles simples cidadão que no dia a dia vão percebendo o que se passa em nosso redor e vão publicando sempre de uma forma muito educada o que pensam seja no Blogue seja no Ecos. Os verdadeiros lideres começam assim. E atenção nas próximas eleições autárquicas todo vai ser diferente, se estas simples pessoas conseguirem transmitir para a opinião publica o que conseguem neste espaço, acredito que vão atingir um resultado digno do que merecem.
"Um bem haja"
Viva a liberdade, viva o 25 de Abril e viva Grândola
Anónimo a 25 de Abril de 2010 às 19:06

“Hoje não”

Hoje não estou com vontade de me dedicar a assuntos sérios e ainda bem pois dei-me conta de uma curiosidade que é a seguinte, agora para além da pressão dos média para que haja acontecimentos fora do comum, existe também a pressão da indústria de jogos electrónicos para que tais acontecimentos ocorram para de seguida aproveitarem a deixa e lançar logo no mercado os respectivos jogos.

E é a isso que eu tenho estado a dedicar-me hoje, a um novo jogo on-line que descobri, tem a ver com esta crise global e já integra também a crise provocada pelo vulcão, é bastante complicado de princípio mas depois de algumas horas em frente ao PC e de entender umas quantas regras básicas até não me estou a sair nada mal.

Queiram então saber que comecei por investir um dinheirito que herdei de uma tia rica, em Wall street, é quase sempre assim as histórias de sucesso começam sempre por um golpe de sorte, dei-me bem e ganhei uma massas valentes, mas melhor que isso como joguei na principal praça tive também a sorte de me fazer notado e conhecer uns tipos influentes, é claro tive que investir um pouco de início, mas agora tenho-os na mão.

Numa jantarada, diga-se que me custou bastante cara, no Manhattan Chase Hilton convenci os tipos a vir para a imprensa especializada dizer que Portugal e a Grécia estavam de pantanas e tal, o resto já vocês sabem, foi o último investimento que tive que realizar, a partir daí tem sido só facturar, já vos conto.

Com a massa que ganhei investi forte e feio na dívida pública destes países, é claro que depois das declarações dos meus amigos na imprensa os meus títulos valorizaram uns milhões, vendi deles uma parte substancial e realizei logo uma maquia que nem vos digo quanto para não vos baralhar, tantos eram os zeros.

Com parte deste dinheiro adquiri a Islândia que como sabem estava de pantanas, eles até me agradeceram e tratei logo de lançar em erupção os dois principais vulcões do país, neste momento os céus da Europa e dos EUA estão cobertos por uma nuvem que paralisou 85% da aviação no hemisfério norte, as cotações do barril de crude estão a cair fortemente, pois a aviação é um dos principais clientes das refinarias.

Dei ordens em bolsa para comprar tudo o que apareça de companhias petrolíferas, pois muitas estão em forte queda devido à minha nuvem e vai daí conto em breve tornar-me dono das principais empresas de refinação do planeta, depois é só fechar as válvulas de queima dos vulcões para que aviação volte aos céus e aí já serei eu a controlar quase na totalidade os preços dos combustíveis, aí sim vou ganhar como nem imaginam e já estou a pensar em especular na indústria extractiva de metais pesados, para de seguida vir a controlar a fatia da energia nuclear e em breve serei dono do mundo por via do controlo da energia…

…ai o PC desligou, faltou a energia, bolas e eu nem gravei esta treta, que maçada vou ter que começar tudo de novo, bom mas com a experiência de hoje tenho cá a impressão que amanhã ainda me vai correr melhor o dia, deixa-me cá ligar já aos meus amigos de Wall street.
Anónimo a 26 de Abril de 2010 às 18:17

“Os binóculos”

O meu tio africano perguntou-me uma vez se eu sabia como caçar um elefante com os seguintes objectos, uma caixa de fósforos, uma pinça e uns binóculos, eu fiz uma cara de espanto, pensei alguns instantes e dei-lhe a resposta óbvia, não, pois é simples disse-me ele, com os binóculos procuras na savana um elefante, ao encontrá-lo vais-te aproximando cuidadosamente, quando já estiveres bem próximo abres a caixa de fósforos, viras os binóculos ao contrário, pegas no elefante com a pinça e coloca-lo dentro da caixa e já está, vês é simples.

Veio isto a propósito de quê, de quase tudo em geral e de nada em particular, como dizia o outro, mas ao ler que o governo está a estudar um determinado sector da actividade administrativa, porque descobriu que este tem administradores a mais, eu acabo por fazer a mesma cara de espanto que fiz quando o meu tio naquela época quando me ensinou a caçar elefantes.

Faço também uma imensa cara de espanto quando os nossos governantes e demais líderes afirmam, como há uns dias o ministro que disse não compreender o mecanismo que leva à formação dos preços de determinados bens.

Faço também uma imensa cara de espanto, quando em vez de se remunerar a pouca poupança do português, com os célebres certificados de aforro se opta por remunerar os especuladores ao emitir dívida pública para o mercado internacional e os certificados que demoraram quarenta ou mais anos a conquistar fama estejam agora a ser assassinados desta forma, não que eu seja um especialista na matéria, mas de tanto os ouvir falar.

Poderia dar muitos mais exemplos para justificar a cara de espanto que sou obrigado a fazer amiúde, o que eu não vejo é nenhum dos nossos responsáveis fazer uma cara de espanto, ao ver a ginástica que por aí se faz para conseguir ir vivendo com o custo de vida e os rendimentos disponíveis, como diz o outro, os especuladores voltaram ao mercado, embora eu ache que nunca de lá saíram e se não forem tomadas medidas drásticas não vamos ter um futuro brilhante.

Parece-me que temos sido governados por ilustres e brilhantes personalidades, ninguém lhes retirará o mérito, mas que na minha modesta opinião têm andado a olhar para as realidades com os binóculos virados ao contrário, será talvez chegada a hora, se é que ainda vamos a tempo, de virar os binóculos para tentar perceber a verdadeira dimensão do problema e rapidamente encontrar a melhor forma de enfrentar o elefante.
Anónimo a 27 de Abril de 2010 às 12:28

Pense globalmente, morra à fome localmente.

Até agora foram gastos três trilhões de euros em pacotes de estímulos económicos para recuperar bancos.

1% disso poderia alimentar 59 milhões de crianças com fome durante um ano.

Alguma coisa tem que mudar.
Anónimo a 27 de Abril de 2010 às 16:13