“O próximo carnaval”

O Nobre já anunciou
O Alegre a caminho vai
O Cavaco ainda é tabu
O PC não se descai

Presidentes à mão cheia
P’ra este nosso Portugal
Qu’o povo desta aldeia
Está farto de se dar mal

Com escolha assim vasta
Triste sina em bom agoiro
Que p’ra desgraça já basta

Esta maldita crise mundial
Por ela nos levam o coiro
Mas deixem-nos o carnaval.
Anónimo a 2 de Maio de 2010 às 16:34

"O seu nome é Deolinda e tem idade suficiente para saber que a vida não é tão fácil como parece, solteira de amores, casada com desamores, natural de Lisboa, habita um rés-do-chão algures nos subúrbios da capital. Compõe as suas canções a olhar por entre as cortinas da janela, inspirada pelos discos de grafonola da avó e pela vida bizarra dos vizinhos. Vive com 2 gatos e um peixinho vermelho..."

Deolinda é um original projecto de música popular portuguesa (MPP), inspirado pelo fado e as suas origens tradicionais. Formado em 2006 por 4 jovens músicos com experiências musicais diversas (jazz, música clássica, música étnica e tradicional), procuram, através do cruzamento das diferentes linguagens e pesquisa musical, recriar uma sonoridade de cariz popular que sirva de base às composições originais do grupo.

http://www.myspace.com/deolindalisboa

Os Songlines Music Awards 2010, organizados pela revista inglesa Songlines, premiaram os portugueses Deolinda, na categoria "Newcomer", com o álbum Canção ao Lado.
Anónimo a 2 de Maio de 2010 às 17:05

“Mãe há só uma”

Naquele dia de festa era tal a bebedeira
Minha mãe e amigas vazaram a garrafeira
Ó Zé meu querido desce à cave por favor
Que agora não posso, tal não é meu torpor

Traz-nos duas garrafinhas que a secura é atroz
Se não bebemos depressa é um ardor bem feroz
Teu desejo é uma ordem, escada abaixo lá vou eu
Com a pressa quase caio e parto o nariz meu

Felizmente me equilibro e chego bem de saúde
Vasculho tudo em redor e uma garrafa encontro
Escada acima toda a pressa, três degraus amiúde

Finalmente lá na sala a tristeza não se esfuma
Ao verem uma mão vazia na hora do reencontro
Triste notícia tenho eu que dar, mãe há só uma.
Anónimo a 2 de Maio de 2010 às 19:04

Estes comentários só provam uma coisa que há séculos sabemos: Portugal é um país de poetas! Agora comam poesia...
Anónimo a 3 de Maio de 2010 às 19:07

“Agora comam poesia...”

Portugal é um país de poetas
Coisa que há séculos sabemos
Também houve alguns atletas
Pior é que poesia não comemos

Andamos deprimidos sem cheta
Com o estado a que isto chegou
Mas com um Presidente poeta
Tomar Prozac é coisa que acabou

Teremos saraus bem compostos
Para nossa grande felicidade,
Não poderemos pagar impostos

Dirá o novo Presidente um dia
Sem tusto mas com autoridade
Agora comam poesia...
Anónimo a 3 de Maio de 2010 às 20:01

De elmanofilo a 1 de Maio de 2010 às 08:36

Que grito de alma mais saudável e pertinente. Quanto do que se esbanja em banquetes , foguetórios e palermices idiotas, patrocinadas por gente que se serve de certas datas e eventos como feira de vaidades, poderia ser usado noutros fins mais edificantes.

Ainda recordo aquela atitude generosa dos médicos do hospital Pedro Hispano que abdicaram dos carros de serviço para adquirirem equipamento médico.

Gesto simbólico mas cheio de significado!

Quem lhes seguiu o exemplo?

Ninguém. Os poderes políticos são egoístas, egocêntricos, não toleram atitudes de generosidade que caem como facadas no seu viver faustoso e opulento.

O país está de rastos por causa disso.

http://fernandonobre.blogs.sapo.pt/20865.html#comentarios
Anónimo a 3 de Maio de 2010 às 22:10

“A escola do tempo”

Faz tempo que não pensava no tempo, mas hoje não sei porque carga de água dei comigo a pensar nessa escola que é o tempo, o tempo não pára, o tempo urge e o tempo tudo resolve, fantástico, estas três formas que o tempo tem de nos ensinar.

O tempo não pára, o que nos permite estar em constante evolução, dá assim ênfase àquela máxima “nada é permanente a não ser a mudança” e se pensarmos bem assim é de facto, nada pode ser dado como adquirido a não ser a mudança constante, e é esta mudança que nos permitiu ser aquilo que hoje somos, é toda uma aprendizagem de séculos da qual agora podemos usufruir.

O tempo urge, é quase sempre assim, mas isso tem mais a ver com aquilo que fazemos com o tempo que nos é disponibilizado, enfim como o gastamos, existem tantas formas de gastá-lo mas hoje em dia parece que o esbanjamos, tal é a correria, mas é nesta correria que somos obrigados a dar os nossos tombos e é com os tombos que se aprende, logo esta não é senão uma forma acelerada de aprendizagem.

É pois o tempo sempre a ensinar-nos em função das nossas necessidades, se antes as coisas corriam devagar o tempo se encarregou de nos ir ensinando ao longo de séculos e se agora a vida é bem mais frenética então o tempo adaptou-se e pôs-nos aos tombos, pois viu que só dessa forma nos consegue ensinar tudo aquilo que necessitamos aprender.

E finalmente o tempo tudo resolve, é bem verdade, nunca vi mal que sempre durasse, é uma vez mais o tempo a ensinar-nos, pois mesmo que não tenhamos aprendido ao longo dos séculos nem com a sua forma de aprendizagem acelerada, então ele como bom professor que é, e adaptado aos tempos modernos, proporciona-nos assim um género de passagem administrativa, eliminando todos os erros dos seus discípulos menos dotados que nem mesmo aos tombos tenham conseguido aprender.
Anónimo a 4 de Maio de 2010 às 18:51

“Acordei”

Acordei muito dormente, não me lembrava bem de como tinha ido ali parar, reparei num botão e toquei, veio uma senhora vestida de branco e perguntei-lhe o que se tinha passado, ela explicou-me que eu tinha tido um acidente, entrara em coma e se tinham passado uma dúzia de anos, não me lembrava muito bem do sucedido.

Recebi muitas visitas, familiares e amigos, estavam todos muito mais crescidos e outros com aspecto mais velho, finalmente tive alta, vim para casa e comecei a informar-me sobre a nova sociedade, nova para mim passados estes anos, verifiquei que o buraco da camada de ozono tinha sensivelmente o mesmo tamanho e que já havia mais carros eléctricos.

Verifiquei que já não havia polémicas na vida pública, já não se falava de esquemas nem de corrupção e parecia ter havido um grande desenvolvimento a nível da infra-estruturas básicas, tanto em novas como na conservação das existentes, estranhei, mas um dia recebi a visita de mais um amigo e resolvi informar-me melhor com ele.

Olha lá, disse-lhe eu, como é que estas evoluções se deram, tu sabes a nível da vida pública, da sua gestão e então ele explicou-me que a dada altura as coisas se tinham tornado incomportáveis, quase ao nível da convulsão social e então alguém se tinha lembrado de criar a figura do provedor do contribuinte, provedor esse que era responsável por controlar rigorosamente o orçamento público e desbloquear toda e qualquer verba.

Fiquei perplexo e perguntei-lhe, então mas esse tipo não está debaixo de fogo constante, não lhe limparam já o sarampo e aí ele explicou-me que não se tratava de um tipo mas de um sistema para onde confluía todo o dinheiro dos contribuintes e este fazia um controlo cego e rigoroso do orçamento e que mediante a emissão de notas codificadas disponibilizava as verbas inscritas e nem um tostão mais.

Mas isso obriga a um rigoroso planeamento e orçamentação, exclamei, não via o pessoal preparado para tal, não houve criativos a tentar dar a volta ao sistema, perguntei-lhe, então ele disse-me que de início sim, havia uma ponte lá no norte que só chegava a meio do rio pois tinham desviado metade da verba e também uma auto-estrada no oeste que tinha duas faixas num sentido e uma só no outro, pois tinham desviado um quarto da verba, mas foi só de início, porque depois a coisa dava tanto nas vistas que toda a gente se retraia de fazer tais aldrabices.

E ia eu colocar-lhe uma nova questão, que já não recordo qual quando o vejo a ficar ténue como uma nuvem de fumo e ouço um ruído assim muito ao fundo, era o despertador, sete da manhã, hora de ir trabalhar, tudo não passara de um sonho, levantei-me parei como é hábito para tomar um café e ler o jornal e dei-me conta de que afinal estava tudo na mesma, todos continuavam a roubar e o contribuinte a pagar... volta provedor...
Anónimo a 5 de Maio de 2010 às 21:56

Quanto mais precários,
Mais rebeldes
j.pereira a 6 de Maio de 2010 às 18:33

“Humano sou eu”

Os activos humanos são o bem mais valioso de qualquer organização, certo ? errado, os activos humanos estão lá porque são necessários, mas quantos menos melhor e quanto menos humanos e mais activos melhor, certo ? errado, isto dos humanos é tudo muito complexo e depende de muitas variáveis, mas fica sempre bem desenvolver umas teorias e aderir às modas vigentes.

Sabemos que o ser humano, enquanto mercadoria não transaccionável, é um ser bestialmente adaptável às realidades, que luta sempre pelos seus objectivos e que busca a felicidade, o que quer que isso seja, já a classificação como activo, não relacionado com a actividade ele própria, mas como uma qualquer classificação contabilística, serve bem para as organizações, mas não para aqui.

Detenhamo-nos pois um pouco sobre os objectivos, devem ser exequíveis mas não alcançáveis, isto para a própria protecção do ser humano, pois o alcançar de um objectivo pode levar a um estado de felicidade tal que provoque o colapso, como o caso daquele filósofo que lutou toda uma vida para ver a sua teoria reconhecida, no dia seguinte após alcançar esse reconhecimento morreu.

Quanto à felicidade é ela própria um conceito de definição difícil, mas como já se viu deve ser tomada com moderação, em função dos tais objectivos que tendencialmente não se alcançam, senão caput, mas quando os conceitos são difíceis a prática leva à sua ilustração através de exemplos para melhor se compreender os seus contornos.

Neste caso por exemplo os escandinavos são felizes q.b., vivendo com pouco sol, pagando impostos elevadíssimos, mas usufruindo deles as contrapartidas exigíveis, já os povos do mediterrâneo são felizes q.b., vivendo com muito sol, pagando impostos elevados, mas obtendo deles apenas algumas contrapartidas, já nos países africanos os povos são felizes usufruindo de um clima extraordinário e vivendo com parcos recursos, dir-se-ia portanto que o clima tem um efeito sobre a felicidade inverso ao das condições financeiras e que portanto se equilibram, pode ser.

Como é que poderemos então equilibrar tudo isto de tão complexo que é ? relativamente ao ser, ser humano ou activo humano já se viu depende do contexto em que está inserido, quanto aos objectivos já sabe deve tê-los sempre em linha de vista mas nunca os alcance, pois pode ter efeitos devastadores, já no que toca à felicidade deve ser tomada q.b. para que não aconteça o colapso e pode sempre equilibrar o seu estado de felicidade fazendo uma correcta gestão entre os seus recursos financeiros e a quantidade de exposição solar.
Anónimo a 7 de Maio de 2010 às 17:43